De 31 de maio a 30 de setembro, a carteira da família rendeu 5,01%. Nos mesmos dias, o CDI rendeu 4,59%; é a taxa que os bancos brasileiros cobram entre si de um dia para o outro, e fica perto do que paga um depósito bancário simples. Outubro somou 2,34% até o dia 19. Então o segundo turno de 25 de outubro foi contra nós. Esperávamos a vitória de Flávio Bolsonaro, o presidente Lula foi reeleito e as ações brasileiras caíram 13,9% em 26 de outubro. Aos preços daquele dia, estimamos que a carteira perdeu 5,9% no pregão e ficou 5,6% abaixo do seu valor de 19 de outubro; em 27 de outubro, estava 5,2% abaixo. Vamos vender as ações brasileiras, escolhendo o momento pelo preço, e não ter nenhuma por um a dois anos. Ainda não vendemos nenhuma. A renda fixa e o crédito ficam, em reais ou em outras moedas.

O que estamos fazendo

  • Vendendo as ações brasileiras. Ainda não vendemos nenhuma e vamos escolher o momento pelo preço. A nossa tese era uma vitória de Bolsonaro, e ela estava errada. As ações brasileiras vão ficar abaixo da faixa que o mandato de Ações define, por decisão nossa.
  • Sem ações brasileiras por um a dois anos. A renda fixa e o crédito ficam, em reais ou em outras moedas. As ações que comprarmos serão negociadas no exterior, e estamos estudando títulos e ações na Europa e nos Estados Unidos.
  • O CDI continua sendo a referência. A família ganha e gasta em reais, quaisquer que sejam as moedas da carteira.
  • Uma nova composição até sexta-feira. O próximo relatório a apresenta.

Quatro meses à frente do CDI, por 0,42 ponto

Informamos um retorno ponderado pelo tempo. Ele conta o que os investimentos renderam e deixa de fora o dinheiro que a família aplicou ou retirou, de modo que um aporte grande nunca aparece como ganho. Por essa medida, a carteira superou o CDI em 0,42 ponto de 31 de maio a 30 de setembro. Junho perdeu 1,34% enquanto o CDI pagou 1,12%; setembro rendeu 2,78% contra 1,08% (Gráfico 1). Com a maior parte do dinheiro em renda fixa, a carteira deve ficar perto do CDI. As ações, os fundos e as criptomoedas fazem a diferença, para um lado ou para o outro, e carregam o risco.

Gráfico 1. À frente em julho e setembro, atrás em junho e agosto

Retorno mensal ponderado pelo tempo da carteira da família e do CDI, de junho a outubro de 2026, em %

−2−10+1+2+3−1,34%+1,12%jun+2,59%+1,22%jul+0,95%+1,09%ago+2,78%+1,08%set+2,34%out, até 19Carteira da famíliaCDI

Fontes: Apoena Research, os livros da carteira da família no fechamento de 19 de outubro de 2026; Banco Central do Brasil, CDI (série 12 do SGS). Notas: um mês com um aporte grande e sem avaliação no próprio dia conta o aporte a partir do dia em que ele chegou (Dietz modificado). Outubro vai até o dia 19, e o seu CDI aguarda o fim do mês.

Dois terços do dinheiro estavam em renda fixa

Em 19 de outubro, 63,7% da carteira estava em renda fixa: títulos bancários que pagam o CDI ou uma taxa prefixada, e fundos que emprestam a empresas (Gráfico 2). Os títulos públicos somavam 6,3% e as ações brasileiras 14,3%, depois das compras de 13 de outubro. Uma posição está fora da faixa adequada. Por moeda, 95,6% está em reais, 3,4% em cripto e 1,1% em ativos que acompanham o dólar americano. Quando uma eleição sacode o mercado, a renda fixa que paga o CDI mantém o seu valor e as ações levam a queda.

Gráfico 2. Dois terços em renda fixa antes da eleição

Parcela do valor da carteira da família por classe, 19 de outubro de 2026, em %

Renda fixa63,7%Ações brasileiras14,3%Alternativos6,5%Títulos públicos6,3%Cripto3,4%Fundos imobiliários2,6%Caixa2,2%Ações internacionais1,1%

Fontes: Apoena Research, os livros da carteira da família no fechamento de 19 de outubro de 2026. Notas: cada posição pelo valor que o extrato da sua própria conta informa; as parcelas podem não somar 100% por causa dos arredondamentos.

A eleição custou cerca de 5,9% em um pregão

O mercado tinha precificado uma vitória de Bolsonaro, e o resultado a desfez em um dia. Em 26 de outubro, o Ibovespa, o principal índice de ações do Brasil, caiu 13,88%, o dólar subiu 8,79% contra o real e o DI futuro de janeiro de 2029 saltou de 12,64% para 15,25% (Gráfico 4). Os juros longos definem o preço de todo título prefixado; quando eles sobem, esses títulos perdem valor. Entre os fechamentos, estimamos a carteira a cada dia útil, movendo cada posição pelo seu próprio preço de mercado. Essa estimativa caiu 5,9% em 26 de outubro e deixou a carteira 5,6% abaixo de 19 de outubro, porque ela tinha ganhado um pouco na semana anterior. Recuperou 0,4% em 27 de outubro, ficando 5,2% abaixo (Gráfico 3).

Gráfico 3. 100 aplicados em 31 de maio valiam 107,47 em 19 de outubro e cerca de 101,90 em 27 de outubro

Valor de 100 aplicados na carteira da família e no CDI em 31 de maio de 2026; tracejado, a nossa estimativa depois de 19 de outubro

98100102104106108junjulagosetout107,47101,90EstimativaCarteira da famíliaEstimativaCDI, 104,96 em 10 out

Fontes: Apoena Research, os livros em cada fechamento e as estimativas diárias de 23, 26 e 27 de outubro; Banco Central do Brasil, CDI até 10 de outubro. Notas: a estimativa mantém as posições de 19 de outubro, move cada posição listada pelo seu preço de mercado e deixa os títulos bancários pelo último valor informado.

Gráfico 4. As ações caíram 13,9%; a carteira, cerca de 5,9% pela nossa estimativa

Variação em 26 de outubro de 2026, em %

Ibovespa−13,88%Carteira da família, estimativa−5,89%Dólar contra o real+8,79%

Fontes: B3 e CNBC, fechamentos de 26 de outubro de 2026; Valor, taxas de fechamento dos DI futuros, 26 de outubro de 2026; Apoena Research, estimativa diária de 26 de outubro. Notas: nenhuma ação tinha sido vendida até 27 de outubro, e o próximo fechamento registra cada venda pelo seu próprio preço.

Jovem demais para a maioria das medidas de risco

A maioria das medidas de risco precisa de mais meses do que temos. Em quatro meses, o mês médio rendeu 1,24% e o pior, junho, perdeu 1,34%; essa perda de junho é também a maior queda a partir de um pico até agora. A volatilidade (quanto o retorno mensal oscila), o índice de Sharpe (o retorno acima do CDI por unidade dessa oscilação) e o valor em risco (quanto um mês ruim poderia custar, uma vez em vinte) precisam de doze meses, então chegam em 31 de maio de 2027 se avaliarmos todo fim de mês. Uma faixa de anos bons e ruins tirada do próprio histórico da carteira precisa de 24 meses, ou seja, 31 de maio de 2028.

A renda superou os custos que conseguimos ver

Em 2026, até 19 de outubro, a carteira recebeu uma renda equivalente a 0,75% do seu valor em 19 de outubro: cupons, distribuições de fundos e de fundos imobiliários, dividendos e juros. As taxas e os impostos dos extratos levaram 0,64%. Leia isso como um piso, porque os fundos cobram taxas dentro do próprio preço, e nenhum extrato as mostra. As vendas fecharam com um prejuízo líquido de 0,36%.

Próximos: o Fed hoje, 28 de outubro; o BCE em 29 de outubro; os três mandatos a partir de 2 de novembro; o boletim Focus no começo daquela semana (2 de novembro é feriado); a decisão do Copom em 4 de novembro; e o número de outubro no nosso próximo fechamento.

Fontes

Apoena Research, os livros da carteira da família no fechamento de 19 de outubro de 2026 e as estimativas diárias de 23, 26 e 27 de outubro; Banco Central do Brasil, CDI (série 12 do SGS), o boletim Focus de 23 de outubro de 2026 e o calendário do Copom para 2026; B3 e CNBC, fechamentos de 26 de outubro de 2026; Valor, "Juros futuros disparam após vitória de Lula e leva a intervenções do Tesouro", 26 de outubro de 2026; Tribunal Superior Eleitoral, resultado do segundo turno de 25 de outubro de 2026.

Números até o fechamento de 19 de outubro de 2026; os preços podem ter mudado desde então. A Apoena Research é um projeto de pesquisa independente, baseado em capital pessoal e da família. Este relatório não é recomendação de investimento, oferta de produtos financeiros nem oferta de gestão de recursos de terceiros.